Levi Leandro

DIREITO DE RESPOSTA AO ABRIGO DA LEI DE IMPRENSA N.º2/99, DE 13 DE JANEIRO, ARTIGOS 24.º.

O “Talentoso” Sr. Rui e o seu Gravíssimo Precedente

O Sr. Rui Cordeiro dos Santos, em pleno exercício das funções presidenciais para que foi mandatado pelos cidadãos de Vila Real, mostrando o seu “elevado caráter”, resolveu escrever um “texto” (?) no qual pretendeu, a coberto da exposição da minha atividade empresarial, dissipar na memória da opinião pública os atos de gestão da autarquia, dos quais, em alguns casos, discordo profundamente.


Manobra de diversão habitual do sr. Rui e demais serviçais que julgam, assim, condicionar todos aqueles que pretendem garantir o escrutínio democrático dos eleitos e nomeados.

Após a leitura do inaudito “escrito” do sr. Rui, tenho de confessar a minha perplexidade, pela simples razão de que, se os artigos de opinião que regularmente escrevo e a VTM publica, contêm matéria que possa, de alguma forma, constituir uma falsidade ou ofensa à honorabilidade do sr. Rui, então porque não recorre, ele, aos tribunais? Qual será, então, a grande preocupação do sr. Rui? Qual terá sido a razão pela qual se deu ao trabalho de escrever este “texto”? Será que alguém descortina? Ou será apenas uma questão de caráter?

Enquanto cidadão, integro a sociedade e contribuo para o seu desenvolvimento, criando e mantendo postos de trabalho, que significam o sustento de várias famílias, assumindo a responsabilidade social inerente ao exercício dessa minha atividade. É por essa razão que acho que a administração do erário público tem de ser transparente e  obedecer ao princípio da equidade para com os contribuintes. Para o sr. Rui e seus acólitos, o que acabei de escrever não tem significado algum, porque não sabem, pois, que todas as suas remunerações estão enquadradas na frase “JOB FOR THE BOYS”. 

Convictamente afirmo que não estou limitado, nem fragilizado, nos direitos e deveres de cidadania, pelo simples facto de que os processos que ocorreram contra a empresa, da qual fui um dos quatro sócios gerentes, estão simplesmente concluídos. A Justiça deu-os como encerrados. É público. São processos com mais de cinco anos e o mais antigo tem 12. Não será com esta exposição que o sr. Rui me vai condicionar. A mim não me calam. 

Não estou interessado em saber se qualquer político nacional, concelhio ou de freguesia, legitimamente eleitos pelos cidadãos, tiveram problemas com a justiça, desde que estejam devidamente julgados e concluídos. Também não me interessa se os políticos estiveram, em tempos, ligados ao consumo ou outro tipo de atividade relacionada com estupefacientes, se tiveram ou não uma orientação sexual diferente, ou envolvimento em violência doméstica, etc., ou quais os valores que definem o percurso de vida de cada um.  Eu sei quais são os meus valores e orgulho-me disso. 

Quando António Guterres em 16/12/2001, abandonou o país à sua sorte, afirmou que estávamos a cair num “pântano político”. Extremamente assertivo. Com ele tinham chegado ao Governo vários atores políticos que começaram a ter dimensão em várias áreas e matéria, nomeadamente o sr. José Sócrates, o sr. Armando Vara e outros companheiros de “route” do Sr. Rui, que fazem política devassando a vida privada de cada um que se lhes opõe, moldando a história, procurando ridicularizá-los e humilhá-los, para os calar e lhes retirar a dignidade. Que miserável forma de exercer o poder democrático.

O sr. Rui vive consumido pela presunção de que a dignidade dele está garantida e a impunidade também, só porque ocupa o cargo de presidente da Câmara Municipal, onde tudo o que faz está bem feito, só porque ele acha que sim. Será assim para os seus serviçais, para aqueles que, de cócoras debaixo da mesa, eventualmente aguardam pela queda das migalhas que se libertam de um pão que é de todos. Mas não é assim para aqueles que são livres, para aqueles que não se subjugam ao despotismo, para aqueles que não aceitam, alegadamente, a utilização indevida dos bens públicos. Sr. Rui, a liberdade não está a passar por aqui. A liberdade está instalada aqui e eu tenho o dever, e o direito, de não me calar e usá-la para defender os valores democráticos. “Há pessoas que têm Medo que o Medo acabe”.

Sr. Rui, com a sua atitude, abriu um precedente gravíssimo em Vila Real, pois, a partir de agora, qualquer cidadão pode vir à praça pública fazer devassa da vida pessoal de cada um, nomeadamente dos políticos e figuras públicas.

Quero agradecer publicamente as mensagens de solidariedade de ordem pessoal que recebi. Não posso deixar ,e desculpem-me os outros, de realçar uma, pois um amigo ofereceu-me dois CD`s de música portuguesa, um já conhecia, é o “Chama o António”, o outro nunca o tinha ouvido e o título é “Chama o Pelonas”, recomendo.

 Sr. Rui, aguardemos que o bom senso impere e fico a aguardar, com expectativa, o  anúncio da sua recandidatura.

Concluo com uma citação que costumo, e gosto de utilizar. “Quem mente também rouba. Rouba pelo menos o direito de o outro saber a verdade”.

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