Armando Moreira

MIRADOURO

Alertas

A Conferência Episcopal Portuguesa, numa nota divulgada a 01 de janeiro, alertou para o que no seu entender é um escândalo: a solidão e o abandono dos idosos, particularmente os afetados pelo vírus Sars-cov-2, afirmando que os lares devem ser profundamente repensados, tanto no que se refere ao equilíbrio do seu funcionamento e gestão, como na diferenciação dos serviços ali prestados e à articulação com as respetivas famílias


A Igreja Católica sabe do que fala, porque grande parte dos Lares de Idosos, estão à sua responsabilidade. E se até há pouco tempo, a sua sustentabilidade financeira também tinha o contributo de muitos dadores anónimos, estas dádivas estarão a diminuir, enquanto os custos extras dos tratamentos aumentam exponencialmente. 

Nesta nota, os Bispos Portugueses, vão mais longe, dizendo que: “a ideia de que os idosos são descartáveis é um escândalo que se revelou em toda a sua brutalidade”. Não se pode ser mais claro. Lembramos, que quando chegaram notícias sobre a aplicação da vacina, que como se depreende é um bem ainda escasso nesta altura, soubemos que um dos critérios dos responsáveis políticos pelo Serviço Nacional de Saúde, era o de que acima dos 75 anos não seria prioritário, porque a vacina não seria eficaz para pessoas com tanta idade. 

Clara Ferreira Alves, uma prestigiada colunista do Expresso, condena, da mesma forma, esta exclusão à priori das pessoas de idade e acrescenta que a experiência da vacinação da gripe não conduz à segurança da população. “O governo tem falhado no método e na mensagem, na operacionalização dos desafios e na execução das decisões”,  afirmando ainda que se a vacina não está testada nos velhos, a morte provocada pelo vírus está, bem como a agonia terrível e solitária. Tudo o que seremos nos próximos anos, política, económica e socialmente, tudo o que seremos humanamente, depende do sucesso deste plano de vacinação. 

Um profissional de enfermagem, nosso amigo, a fazer testagem da Covid-19, num estabelecimento de uma instituição social da nossa cidade, disse-me que diariamente despistava um ou mais casos positivos. No entanto, ainda não sabia, quando seria vacinado, para sua proteção e das centenas de cidadãos que a ele se dirigem para diagnóstico.

Deixamos o nosso alerta, que se enquadra naquilo que os nossos Bispos trouxeram a público: não é hora de fazer política partidária. É tempo de baixar bandeiras, dar as mãos e recorrer a todos os meios ao nosso alcance, públicos ou privados, que a vacina não é de Esquerda nem de Direita.

Dá para entender senhora Ministra?

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