Alfredo Mota

"Uma Terra Prometida" de Barack Obama

Já todos os epítetos foram utilizados para classificar o ano de 2020: trágico, catastrófico, mortal, péssimo, inimaginável, desgraçado, destruidor, etc., etc., etc.


Após os extraordinários avanços que o mundo conheceu nos últimos 70 anos em que se destacam: a conquista do espaço, a descoberta do “6º continente” (o ciber espaço), o desenvolvimento tecnológico ao serviço do ser humano e a globalização, ninguém pensaria que este nosso planeta e a sua massa humana pudessem ser postos em causa por um simples vírus, o Sars-cov-2, que provocou uma pandemia que tem sido devastadora. Mas, se a nossa fragilidade está a ser cruelmente posta à prova, também a inteligência do ser humano acabou por se impor, quer na implementação de medidas com o objetivo de minorar os efeitos da pandemia (confinamento, máscaras, proteção social, medidas de higiene, etc.), quer na procura de armas para vencer o vírus – as vacinas. Como alguém dizia, “só é vencido quem desiste de lutar” e, neste caso, a resiliência e a luta do homem irão, com certeza, triunfar. Nestes tempos de isolamento, a leitura é um bom acompanhante, porque nos ajuda a passar o tempo e, se bem escolhida, pode propiciar-nos informação e conhecimento relevante e dar-nos exemplos significativos de triunfo dos que acreditaram e lutaram. É o caso de Barack Obama e está bem expresso no seu recente livro bibliográfico “Uma Terra Prometida”. O seu percurso de vida difícil, não nasceu num berço de ouro, de luta, como é o caso de um negro nos Estados Unidos, e de sucesso, licenciou-se em Direito e foi professor na Universidade de Chicago, revelam-nos que, com inteligência, trabalho e ambição, se pode conseguir aquele conjunto de capacidades que diferencia os fracos e os medianos dos vencedores. Obama foi educado com base em princípios morais e cívicos de raiz cristã, praticando a solidariedade, o respeito e a tolerância e soube cultivar-se, o que lhe permitiu adquirir o conhecimento e a sabedoria que veio a evidenciar. A sua ética revelou-se na sua carreira, em que não precisou de recorrer ao jogo sujo da política, nem aos golpes baixos, nem a mentiras, nem a truques sórdidos, nem a demagogia para triunfar. Para melhor se perceber o mau da política veja-se o exemplo do inquilino destes últimos quatro anos da Casa Branca. Mas, para além de se ficar com uma ideia do que é ser Presidente da nação mais poderosa do mundo, vale a pena ler o livro para conhecer um pouco melhor a América: o lado mau - racismo, capitalismo desenfreado, insensibilidade social, violência, corrupção, pobreza e miséria; o lado bom – liberdade, democracia, progresso científico e tecnológico, oportunidades de vida e triunfo do trabalho e do empreendedorismo. Em relação à política, constata-se que a luta entre democratas e republicanos é dura e sem cedências, mas no que respeita aos governantes, ao contrário da proliferação dos “boys” como acontece no nosso país, para o governo são selecionados os melhores, os mais competentes, indo procurá-los aos privados, onde se encontram quadros com currículo e provas dadas, não olhando, em muitos casos, às suas simpatias políticas. 

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