Alfredo Mota

Os açores e os “verdadeiros democratas”

O acordo conseguido pelo PSD e outros partidos para governarem os Açores desencadeou por parte dos “verdadeiros democratas”


Dos “iluminados” e “detentores da verdade”, para quem a democracia é património da esquerda, uma onda de demagogia, de mentiras e de malabarismos políticos, absolutamente inacreditáveis. Ouvir e ver António Costa, Augusto Santos Silva e outros virem criticar a solução política açoriana por causa do Chega, depois de o PS ter como aliados, há 6 anos, o PCP e o BE, só se explica pela pandemia ou por uma enorme falta de pudor. Falamos de partidos da extrema esquerda radical, que são contra a Europa, contra o Euro, contra o mercado livre, contra a NATO, contra a democracia, a que chamam burguesa, e contra as liberdades. A sua ideologia e programas têm como base no caso do PCP o marxismo-leninismo-estalinismo e no do BE o trotskismo-maoismo. Tais partidos são defensores do modelo político comunista soviético que se caracteriza por ser um regime de partido único que impõe a chamada ditadura do proletariado, não existindo qualquer tipo de democracia ou de liberdade. Como é sabido, nestes regimes políticos não há eleições, nem qualquer tipo de liberdade de expressão, de associação, de imprensa, sindical, etc. e os seus ditadores eram e são mantidos no poder por uma feroz polícia política e por uma repressiva censura, e os opositores políticos acabavam em campos de concentração de extermínio ou executados, liminarmente, sem qualquer julgamento. O Ministro Augusto Santos Silva conhece a história e os partidos com quem está aliado há seis anos, por isso sabe que não está a falar verdade quando diz que não se encosta a partidos que defendem tiranos! Então o que foram Estaline, Mao-Tse-Tung, Pol Pot, Trotski, Ceausescu? Mas, apesar das inverdades destes pobres democratas, as vozes da decência e da sensatez fizeram-se ouvir. Sobre o que disse A. Santos Silva, escreveu o diretor do Público (12/11/20):  “tolerou dois tipos de reações: as que se preocupam com a sua falta de memória; e as que se indignam com o seu malabarismo”. Por sua vez, o Diretor do Expresso (13/11/20) escreveu, referindo-se ao acordo dos Açores: “este primeiro-ministro e o PS serem os últimos a poderem criticá-lo. Porque Costa e o PS asseguraram o apoio de dois partidos (BE e PCP) que estavam, e estão, do outro lado da barricada da decência democrática” e acrescentou “Foi o PS que quebrou a virgindade do centro ao aliar-se à extrema-esquerda (…) apenas para chegar ao poder”. Por sua vez, Sérgio Sousa Pinto, histórico deputado socialista, mostrou a sua seriedade ao dizer que o PS não tem de que se queixar depois de ter feito a geringonça. Aconselho aos “iluminados democratas” que não conhecem a história e a prática de um partido comunista a leitura dos discursos (e livros) de Álvaro Cunhal e os livros de ilustres militantes como Raimundo Narciso, autor do “Álvaro Cunhal e a dissidência da terceira via” e Carlos Brito “Álvaro Cunhal - sete fôlegos do combatente – memórias”. E, já agora, leiam os programas do PCP e do BE.

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