Luís Pereira

Cultura tem graça mas já não tem piada

Passaram-se 25 anos do Salvamento das gravuras de Foz Côa, um marco de avanço cultural inigualável neste país e assim prova a justa homenagem a António Guterres, o primeiro-ministro que impediu a construção da barragem no rio Côa. Algo mudou e ajudou a mudar a partir dessa decisão: A importância do Património cultural para Portugal e para a compreensão da História da Humanidade. 


Entretanto a cultura complicou-se ao passar novamente (ou constantemente) por um período de profunda negligencia, eloquência e de pura demagogia política, vazia de razão e de conhecimento, com visão e pensamento que diz que o património é para ser vendido, não salvo, e não é favorável à construção. 

Limita-se o exercício das competências da tutela do património através da falta de investimento humano e financeiro no Ministério da Cultura, criando um à vontade no país para se causar impactos e provocar destruições no património em prol do desenvolvimento. Cria-se programas destinados à recuperação e requalificação de património público para fins turísticos, um sinal do falhanço do papel do Estado enquanto zelador do Património Cultural, que olha para o património como imóveis inúteis que dão despesa e que o lucro só é possível através da exploração por parte de investidores privados, que adquirem ou lhes é cedido em belas negociatas e a custos irrisórios. Em contrapartida o cidadão é impedido de usufruir o património por questões financeiras. 

Tem graça a naturalidade para se tomar uns drinks e evitar perguntas inconvenientes sobre o apoio a todos os agentes e intervenientes culturais afectados pela pandemia do Covid19, tem graça estranhas e polémicas nomeações para cargos dirigentes dentro da Tutela do Património Cultural, tem graça quando o Estado toma políticas de privatização de património cultural numa transparência que demonstra que o interesse privado tem de ser satisfeito com a cedência de obras de arte dos museus nacionais para caprichos de investidores turísticos, tem graça o loto do património como impulsionador de requalificação e aproximação do património à população, tem graça o reinventar espaços de memória histórica com todo o tipo de novas soluções construtivas que passam por passadiços, elevadores e todo uma nova solução arquitectónica que não dignifica o património cultural. No fundo a Cultura tem graça mas já não tem piada!

Comentários