Luís Pereira

Não passa disso


Foi apresentada a derradeira solução, brilhantemente camuflada no plano de desenvolvimento urbano através do estrangulamento de ruas com o aumento do espaço dos passeios, como se de facto a população da cidade crescesse ao ritmo do desenvolvimento económico (ambos inexistentes na cidade), com a criação de um circuito em torno da cidade sem estacionamentos disponíveis, e com a alteração dos sentidos de algumas ruas, provocando diariamente maior congestionamento rodoviário, sem opção de o cidadão se poder aproximar do seu posto de trabalho, dos serviços que se encontram centralizados no centro da cidade e até de poder visitar os familiares que ainda habitam na cidade, sem que para tal não tenha de fazer quilómetros em busca de um lugar para estacionar e depois percorrer toda a distância para finalmente poder passar algum tempo em família, se bem que a isto devem chamar de mobilidade terrestre, também impulsionada neste projeto urbano. A solução é sem dúvida a criação de parques de estacionamentos com custo para o utilizador que não tem outra opção se não esta. No meio destas voltas deparamo-nos que o meio ambiente também é a menor das preocupações de quem está à frente da governação desta cidade. O recente acontecimento de descargas poluentes no rio Corgo reforça, em boa hora, a incapacidade de resposta que a autarquia demonstra claramente ter sobre as questões de proteção ambiental do seu concelho, a capital da biodiversidade, pois nem com uma rede de saneamento é capaz de por fim à poluição do rio e a única solução encontrada foi uma queixa ao Ministério do Ambiente na esperança que os de fora resolvam este problema, que curiosamente é o mesmo rio que pretende ser enaltecido com os passadiços nas suas escarpas. Este último projeto demonstra também que património ambiental e cultural não entra na agenda política, nem é preocupação uma vez que vimos árvores e edifícios a desaparecer na cidade e que davam um outro ser à cidade, juntamente com a degradação da qualidade do ar e do cheiro putrefacto que provinha do aterro sanitário municipal da cidade da biodiversidade. O totalitarismo político permite que se mande e não se governe, pois é este o facilitismo obtido. Mas se o meio ambiente que é de nós todos e que nós fazemos parte dele não é cuidado, como podemos olhar para estes investimentos públicos com bons olhos? No fundo este é o grande problema da actualidade, e tudo o resto não passa disso!

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